Dentre os inúmeros livros que li de Osho, em um deles está uma conclusão que acho que só entendi hoje. Segundo ele, é preciso ser egoísta primeiro para verdadeiramente se tornar altruísta. Lê-lo é uma coisa; entendê-lo leva tempo. É preciso compreender o que é ser egoísta. Aquele que é egoísta ama a si mesmo, ama somente a si mesmo. Caminhe comigo nesta próxima hora, vamos entender isso juntos. Deixo claro, no entanto, que este meu pensamento e minhas conclusões não derivam apenas do que li e aprendi com Osho, mas sim de todos os pensadores que tenho lido, todas as pessoas que tenho observado, e principalmente, de todas aquelas que amo.
Originalmente, aquele que é chamado de egoísta é o indivíduo que ama a si mesmo. Nesse sentido, ele tem a noção de suas necessidades, de seus limites, de suas escolhas, e de suas responsabilidades para consigo mesmo. Quem ama a si mesmo, se cuida. Quem ama a si mesmo, vive a vida em sua completude, pois a vida lhe pertence totalmente, visto que, para ele, apenas ele existe. O egoísta, nesse sentido original, sabe situar-se no mundo.
O Amor (com maiúscula, como me ensinou o Mestre) propaga do ser individual e se expande para todos os outros e todos os lugares, uma vez que você seja capaz de senti-lo. Este verdadeiro amor, o Amor, se dá porque se tem, e nunca o contrário. Dessa forma, aquele que é capaz de ter consciência da existência deste Amor dentro de si, intui que ele não lhe pertence. Intui e sabe e sente que ele tem que sair de dentro de si, que ele tem que ir para outros lugares, tem que atingir outros corações. Daí, nasce o altruísta.
Do contrário, sem ter sido egoísta primeiro, aqueles que se chamam de altruístas na verdade não o são. Aquele que se diz altruísta, ajuda e diz amar os outros, mas se esquece de si mesmo. Há muitos os casos de pessoas que, de prestar ajuda para tanta gente e tantas causas, esquece de ajudar a si mesmos. E acabam doentes, sozinhos, depressivos. O verdadeiro altruísmo deve ser aquele cujo tempo é equilibrado entre ajudar os outros e ajudar a si mesmo. Se ele se esquecer durante o processo, ele não é o verdadeiro altruísta. Se ele se esquecer que também existe, ele não conheceu o Amor.
Eu já fui muito egoísta. Quando criança, quando adolescente, quando adulto. Todavia, há uma lição nisso tudo, sabia? A vida é feita para ser vivida em sua completude, no sentido de que é preciso sentir a presença e a ausência. Só se sabe que aprendeu algo quando você identifica o erro e o corrige. Se focar apenas no erro, não aprende; se focar apenas na correção, não aprende tampouco. Por isso, quando uma pessoa se embebeda de amor próprio tão-somente, o excesso dele o fará mal. De tanto egoísmo ficará só.
E na sua solidão, ele terá duas opções: ou continua se cobrindo com a terra do amor-próprio, até um dia perceber que se enterrou tão fundo que não saberá como sair; ou reconhece que o seu Amor não o pertence, e o compartilha com os outros, e assim, o multiplica dividindo-o. Quando eu estava me cobrindo de terra, eu decidi fazer a segunda opção, porque entendi que eu não era eu mais. Ao dar meu Amor para os outros, eu me tornaria eles.
O verdadeiro egoísta traz consigo tanto Amor por si mesmo que ele não lembra mais quem é. Ele não precisa mais ser ele, porque percebe que tudo aquilo que é se chama Amor. E o Amor não separa. Portanto, ele não é mais indivíduo, ele é coletivo. Ele não é mais singular, é plural. Ele não é mais egoísta, ele se torna altruísta. A pergunta, para concluir, é:
Até que ponto você está disposto a abrir mão da sua própria existência para que outros existam?

